Mudar faz parte


Em meados de setembro do ano passado, cortei minha franja e depois de algum tempo pintei o cabelo. No início do ano [em abril ou maio, não sei exatamente], escolhi um modelo de unha bem diferente e isso chamou atenção.

Algumas pessoas estão habituadas às mudanças, outras se alimentam disso [da mudança]. Lembro que na adolescência eu costumava ser como um camaleão. Perdi as contas de quantas vezes mudei a cor e o corte do cabelo. Naquele tempo era divertido me transformar tantas vezes, mas foi perdendo a graça conforme eu crescia. Perdeu a graça porque passei a me importar e me preocupar demais com o que as pessoas pensavam e diziam. Foi o início da minha "era robótica". Quando eu simplesmente fazia e sentia o que as pessoas esperavam de mim. Levou tempo até perceber que havia algo de errado nisso. Aliás, tudo era errado nisso. Fiquei abatida e sem personalidade. Vivendo em função de servir e agradar a todos. É claro que não consegui satisfazer 100% das exigências e expectativas, então creio que não é difícil imaginar o quão frustrada eu fiquei. Como já era de costume, me adaptei, porque essa sempre foi minha maior habilidade. Adaptar. Aceitar. Concordar. 

Comecei a trabalhar bem cedo, não tinha tempo, e não me dava ao luxo de esquentar a cabeça com preocupações propriamente minhas. O resultado?! Tive minha primeira crise adolescente aos 21 anos de idade, e permaneci nela até metade dos 23. Surtei.
Perto dos 24 descobri que existia algo chamado senso crítico. Eu já não precisava me alimentar da opinião alheia, pois poderia [e deveria] ter a minha. Nessa fase mudei um pouco. Só o que parecia aperfeiçoar aquilo que acreditaria ser EU. Até me dar conta de que não existia EU, apenas um conjunto de características forçadas, para fazer a linha perfeitinha. E Putz! Tanto esforço para nada. Eu ainda não passava essa imagem. Aí já era. Deu a louca mesmo.
Decidi mudar [de novo]. Comecei pelas unhas, com um modelo chamado STILETTO. Para piorar [no meu caso, melhorar] pintei-as de preto. Sim! Assustei muita gente, mas confesso que estava pouco me lixando. No final de 2016, depois de sonhar algumas vezes com uma nova cor de cabelo, tive coragem para tentar descobrir quem eu era. Eu era [sou] ruiva. E com franjinha.

Parece bobagem não é mesmo?

Deveria ser, mas algumas pessoas se chocaram e falaram mal [não dei ouvidos], outras amaram [essas me encorajaram]. Pela primeira vez em muito tempo, senti que gostava de algo. Não por imposição ou sugestão de alguém. Foi uma descoberta particular. Pela primeira vez desde a adolescência, fiz algo pensando em mim. Só em mim. De todas as coisas que aprendi nesse tempo, uma ficou marcada: há somente uma pessoa na terra que pode fazer minha vida valer a pena. Esta pessoa sou eu. 

E é óbvio que no mundo há mais alguém. Um ser soberano e supremo acima de tudo e de todos. Que ao habitar em mim faz com que eu identifique as melhores escolhas. Refiro-me, meus caros, ao único que é capaz de me conhecer melhor do que eu mesma. Que me amou antes que eu pudesse saber o que é o amor. Ele é Deus.      

'Amanda Nascimento